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Análise — A Poesia de Gregório de Matos

domingo, 6 de maio de 2012 § 0

Os traços da poesia de Gregório de Matos são fiéis aos padrões conceituais do Barroco. Essa íntima ligação não poderia ser diferente, uma vez que ele firmou-se como o primeiro poeta brasileiro, e a sua poesia serviu de objeto para delimitar-se as características do período literário em questão.
O cultismo, ou seja, composições em que rima, métrica, ritmo e formas são indispensáveis, e servem para enfatizar as representações poéticas e ideológicas utilizando-se exaustivamente de figuras de linguagem e de pensamento, está presente na obra de Gregório de Matos. Como podemos observar em “Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem”, um soneto com versos decassílabos e rimas interpoladas, no qual encontramos antíteses “Ardor/pranto”, “fogo/neve”; paradoxos “Incêndio em mares...”, “Rio de neve em fogo...”; e metáforas “fogo” e “neve”, que representam a relação inconstante com a dama.
Mas não podemos nos esquecer de enfatizar as representações ideológicas.  Gregório de Matos utilizava-se da poesia para expressar sua insatisfação com a relação metrópole/colônia. Em sua poesia satírica expôs a revolta pela exploração incessante, como percebemos no trecho “Valha-nos Deus, o que custa / O que El-Rei nos dá de graça, / Que anda a justiça na praça / Bastarda, vendida, injusta”. Ora, mas Gregório defendia também suas convicções religiosas, o que talvez seja uma característica poética adquirida em seu convívio com os jesuítas: “Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, / Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, / Perder na vossa ovelha a vossa glória”.  
Por fim, o que sempre aparece numa antologia, intencionalmente ou não, o lirismo. O poeta barroco não deixou de expressar suas angústias por causa do amor não correspondido, e também seu gosto pela beleza feminina:
 
“Parece aos olhos ser de prata fina?
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Caterina.”
(Gregório de Matos)
(Gleiciele Ap. Ferreira e
Wesley Rezende)

Análise — "A Dama Branca", de Manuel Bandeira

sexta-feira, 3 de junho de 2011 § 0

As estrofes se restringem a quatro versos. Isso transmite a ideia de restrição de vida, resultado do contato ou proximidade da morte. Essa ideia de perca também é evidenciada nas estrofes em que os versos não concluem as nove sílabas poéticas, preponderantes na obra. Esses versos "incompletos", quase sempre, contêm quatro sílabas poéticas — quantia de versos das estrofes.
No poema ocorrem rimas agudas, graves e esdrúxulas, dispostas alternadamente. No entanto, ocorrem exceções na quarta e sexta estrofes. Na quarta estrofe ocorre a única rima entre palavras proparoxítonas. Isso demonstra a tentativa de aprofundar-se no universo para conhecê-lo.
Ainda na quarta estrofe, a "Dama Branca" é denominada somente por "Dama". Estabelece-se, então, a relação dicotômica "Dama Branca"/"Dama".
A partir disso, pode-se dividir o poema em três partes. Na primeira — as três primeiras estrofes — está presente a "Dama Branca", que é uma metáfora relativa à brandura (irônica ou dissimulada) ou ilusão na relação com o "eu" poético. Na segunda parte, a ilusão cessa e o "Branca" dá lugar a adjetivos pejorativos. Por fim, na terceira parte — as duas últimas estrofes — ocorre a retomada das características iniciais. Essa alternância demonstra impotência diante do constante engodo da morte.

Wesley Rezende